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Irã e EUA trocam novos ataques em disputa pelo Estreito de Ormuz

Irã e Estados Unidos realizaram novas ofensivas nesta terça-feira (14), ampliando a tensão em torno do controle do Estreito de Ormuz. A rota marítima é estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás e se tornou o centro da disputa entre os dois países.

O Irã lançou mísseis balísticos contra uma base aérea norte-americana na Jordânia. Os Estados Unidos responderam com aproximadamente cinco horas de ataques contra alvos militares em território iraniano.

A ofensiva norte-americana ocorreu pela terceira noite consecutiva. Washington afirma que as operações buscam diminuir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais e impedir a circulação pelo estreito.

Teerã, por outro lado, sustenta que possui autoridade sobre a passagem marítima e acusa os Estados Unidos de ampliar a presença militar na região.

Estados Unidos anunciam bloqueio marítimo

Os Estados Unidos anunciaram que começarão a aplicar, nesta terça-feira, um bloqueio marítimo contra portos, terminais de petróleo e áreas costeiras do Irã. O início da operação está previsto para as 17h, no horário de Brasília.

A determinação permite que navios com destino ou origem no território iraniano sejam interceptados, desviados ou apreendidos caso não tenham autorização. A passagem de embarcações neutras pelo Estreito de Ormuz, quando não estiverem entrando ou saindo do Irã, não deverá ser impedida.

A medida aumenta o risco de novos confrontos no mar. O Irã já havia anunciado o fechamento da rota no sábado (11) e passou a exigir autorização para a circulação de embarcações.

O tráfego de navios pelo estreito caiu ao menor nível dos últimos dois meses. O temor é de que novos ataques, interceptações ou bloqueios reduzam ainda mais o transporte de energia na região.

Petróleo sobe mais de 3%

A escalada militar provocou forte reação no mercado internacional. O petróleo Brent subiu 3,81% e chegou a US$ 86,47 por barril nesta terça-feira. O petróleo norte-americano avançou 2,75%, para US$ 80,29.

A alta reflete o temor de interrupções prolongadas no fornecimento. Cerca de 20% dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passavam pelo Estreito de Ormuz antes do agravamento do conflito.

Os ataques também atingiram embarcações comerciais. Um tripulante indiano morreu e outros oito ficaram feridos após ofensivas contra petroleiros ligados aos Emirados Árabes Unidos.

Caso a valorização do petróleo continue, o movimento poderá pressionar os preços internacionais dos combustíveis, os custos dos transportes e a inflação. No Brasil, um eventual efeito sobre gasolina e diesel dependerá da duração da crise, do câmbio e das decisões comerciais adotadas no mercado interno.

Acordo fica ameaçado

A retomada das ofensivas ocorre menos de um mês depois de Irã e Estados Unidos assinarem um memorando para reduzir as hostilidades e negociar a reabertura do estreito.

O novo bloqueio, os ataques contra bases militares e as ofensivas a embarcações aumentam as dúvidas sobre a continuidade do entendimento.

Apesar da escalada, representantes dos dois países ainda não descartaram completamente uma saída diplomática. O risco, no entanto, é de que novos confrontos ampliem a guerra para outros países do Oriente Médio.

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