O governo federal adiou para a próxima semana a decisão sobre a retirada do subsídio da gasolina. A medida ocorre em meio à incerteza provocada pelo conflito envolvendo o Irã, que voltou a pressionar o preço do petróleo no mercado internacional.
A avaliação da equipe econômica é de que o cenário externo ainda exige cautela. A tensão no Oriente Médio aumentou a instabilidade sobre o fornecimento global de petróleo e reacendeu o temor de novos impactos no preço dos combustíveis.
A decisão sobre a gasolina estava prevista para esta semana, mas foi postergada diante da volatilidade internacional. O governo já iniciou uma redução parcial de benefícios ligados ao diesel, mas decidiu esperar mais alguns dias antes de definir o caminho para a gasolina.
O objetivo é evitar um repasse brusco ao consumidor em um momento de instabilidade. A alta do petróleo costuma afetar diretamente o preço dos combustíveis, com reflexos no transporte, nos alimentos e na inflação.
Além da gasolina, o governo também acompanha mudanças na mistura dos biocombustíveis. A expectativa é de aumento do percentual de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, como parte da estratégia para reduzir dependência de combustíveis fósseis e aliviar pressões externas.
Outro ponto em discussão é a reestruturação de dívidas rurais. O governo prepara uma medida para reorganizar cerca de R$ 100 bilhões em débitos do setor, depois de mais de um ano de negociações.
A proposta deve atender produtores afetados por perdas climáticas e queda nos preços de produtos agropecuários. As condições em estudo incluem prazo de dez anos para pagamento, dois anos de carência e ausência de entrada.
A medida terá impacto direto no agronegócio, mas também será acompanhada de perto pelo mercado por causa do custo fiscal. A estimativa é de que o programa gere impacto anual de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao Tesouro.
Com a indefinição sobre a gasolina e a negociação das dívidas rurais, o governo tenta equilibrar três pressões ao mesmo tempo: proteger o consumidor, conter efeitos da crise internacional e evitar aumento excessivo dos gastos públicos.