O governo federal lançou nesta quarta-feira (24) a Agenda Brasil Mais Competitivo, uma carteira com 24 projetos voltados à redução de entraves que afetam a produtividade, os investimentos e o ambiente de negócios no país. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e amplia a estratégia antes concentrada na redução do chamado Custo Brasil
A nova agenda tem potencial de gerar economia estimada em R$ 341,6 bilhões por ano. A proposta é atacar problemas estruturais que encarecem a produção, dificultam a expansão de empresas e reduzem a capacidade do Brasil de competir no mercado interno e externo.
Os projetos foram organizados em três eixos principais: infraestrutura, insumos básicos e ambiente jurídico-regulatório. A divisão mostra que o governo pretende atuar tanto em gargalos físicos, como logística e transporte, quanto em questões ligadas a regras, burocracia, segurança jurídica e custos operacionais.
Segundo o MDIC, a Agenda Brasil Mais Competitivo sucede a Agenda de Redução do Custo Brasil e passa a ter uma visão mais ampla. Além da redução de custos, o plano incorpora ações de melhoria regulatória, transformação digital, inovação, inserção internacional e fortalecimento do ambiente de negócios.
A carteira foi construída a partir de consulta pública realizada entre março e maio deste ano. Ao todo, foram recebidas 273 contribuições pela plataforma Brasil Participativo, com participação de representantes do setor produtivo, entidades, especialistas e sociedade civil.
Entre os objetivos está a criação de condições mais favoráveis para investimentos produtivos. A avaliação do governo é que a competitividade brasileira ainda é limitada por custos logísticos elevados, excesso de burocracia, insegurança regulatória, dificuldade de acesso a insumos e entraves que atrasam projetos privados.
A agenda também se conecta à política de retomada industrial. Ao reduzir obstáculos para quem produz, o governo espera estimular modernização de empresas, inovação, transformação digital e geração de empregos. A proposta é criar um ambiente em que empresas brasileiras consigam produzir com mais eficiência e disputar mercados em melhores condições.
Outro ponto da iniciativa é a governança dos projetos. A agenda prevê mecanismos de acompanhamento para monitorar a execução das ações, medir resultados e cobrar avanços. Esse ponto será decisivo para que a carteira não fique apenas no campo das intenções.
Apesar do potencial anunciado, a efetividade da Agenda Brasil Mais Competitivo dependerá da capacidade de articulação entre governo federal, setor produtivo, órgãos reguladores, estados, municípios e Congresso Nacional. Parte dos projetos pode exigir mudanças normativas, ajustes administrativos ou cooperação entre diferentes áreas do poder público.
A iniciativa chega em um momento em que o país busca aumentar produtividade, atrair investimentos e reduzir custos que afetam empresas de diferentes portes. Para o setor produtivo, a agenda será acompanhada de perto porque pode influenciar decisões sobre expansão, contratação e novos projetos.
O desafio agora será transformar os 24 projetos em medidas práticas. Se avançar, a agenda pode ajudar a reduzir distorções históricas da economia brasileira e melhorar a posição do país em competitividade, inovação e ambiente de negócios.