A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que mira o Banco Digimais em uma investigação sobre suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A ação foi autorizada pela Justiça Federal em São Paulo e tem como objetivo apurar possíveis irregularidades na gestão da instituição financeira. Segundo a PF, as investigações indicam que demonstrativos contábeis e registros regulatórios teriam sido manipulados para ocultar a real situação financeira do banco.
A Justiça autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões. Também foram determinadas a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. As medidas fazem parte da apuração sobre supostos crimes financeiros envolvendo o banco.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação do Sistema Financeiro Nacional.
O Banco Digimais é controlado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A instituição já vinha sendo citada em reportagens sobre questionamentos envolvendo sua situação financeira e operações contábeis.
A investigação ocorre em meio a movimentações no mercado financeiro envolvendo o Digimais. Em abril, o banco BTG Pactual confirmou acordo para adquirir a instituição. Até o momento, a operação da PF pode aumentar a pressão sobre o negócio e sobre a análise dos órgãos reguladores.
A Polícia Federal informou que a investigação foi subsidiada por relatórios do Banco Central. Segundo a corporação, os dados indicariam tentativa de aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
Apesar da gravidade da operação, a apuração ainda está em andamento. As medidas autorizadas pela Justiça são cautelares, e as responsabilidades dos investigados serão definidas no decorrer do processo.