A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (26) o registro do Ozivy, medicamento da farmacêutica brasileira EMS produzido à base de semaglutida, mesma substância presente no Ozempic e no Wegovy. A autorização representa a entrada do primeiro concorrente nacional no mercado após o encerramento da patente da Novo Nordisk no Brasil.
A decisão da agência abre espaço para ampliação da concorrência em um dos segmentos que mais cresceram no setor farmacêutico nos últimos anos: o das chamadas “canetas emagrecedoras”, utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
O Ozivy foi aprovado pela Anvisa por meio do procedimento abreviado destinado a medicamentos cuja substância já possui eficácia e segurança reconhecidas. Nesses casos, a fabricante precisa comprovar equivalência técnica, qualidade e desempenho do produto para obter autorização de comercialização.
A EMS informou que o medicamento será fabricado no Brasil e deve chegar ao mercado nos próximos meses. A empresa ainda não divulgou a data oficial de lançamento nem o preço do produto, mas afirma que pretende atuar com valores mais competitivos em relação aos medicamentos importados atualmente disponíveis nas farmácias.
A aprovação ocorre em meio à forte expansão da demanda por medicamentos da classe GLP-1, grupo farmacológico que auxilia no controle glicêmico e promove sensação de saciedade. Nos últimos anos, Ozempic, Wegovy e Mounjaro se consolidaram como protagonistas do mercado global de tratamentos para obesidade e diabetes, impulsionando uma corrida entre farmacêuticas por versões semelhantes e novos lançamentos.
Especialistas do setor avaliam que a entrada de fabricantes nacionais pode contribuir para maior oferta e eventual redução dos preços, considerados elevados para boa parte dos pacientes brasileiros. Atualmente, medicamentos à base de semaglutida podem ultrapassar R$ 1 mil por mês, dependendo da dosagem e da indicação médica.
A movimentação também ocorre em um cenário de maior rigor regulatório. Nos últimos meses, a Anvisa reforçou a fiscalização sobre propaganda e comercialização desses medicamentos, especialmente diante do crescimento do uso fora das indicações originais e da explosão de buscas por tratamentos voltados ao emagrecimento.