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PGR mantém negociações sobre delação de Vorcaro e pede novas informações; PF rejeita proposta inicial

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter em análise a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, mas solicitou novos esclarecimentos e informações complementares antes de avançar nas negociações. A Polícia Federal, por sua vez, rejeitou formalmente a primeira versão do acordo por considerar que o material entregue não atende aos critérios exigidos para homologação da colaboração.

A movimentação ocorreu nesta quinta-feira (21), em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes financeiras e atuação de operadores ligados ao sistema bancário e político. Integrantes da investigação avaliam que a proposta apresentada pela defesa de Vorcaro deixou de fora personagens considerados relevantes e não trouxe detalhes suficientes sobre a suposta estrutura investigada.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Miriam Leitão, do jornal O Globo, a PGR optou por não encerrar as tratativas neste momento e mantém aberta a possibilidade de continuidade das negociações caso o empresário apresente elementos considerados mais consistentes pelas autoridades. A avaliação dentro do Ministério Público é de que ainda pode haver informações de interesse para o aprofundamento das investigações em curso.

Nos bastidores, investigadores apontam que um dos principais pontos de divergência envolve a abrangência dos fatos narrados e a comprovação documental das acusações. A Polícia Federal teria entendido que a colaboração apresentada até agora possui lacunas relevantes e não demonstra entrega efetiva de provas novas capazes de fortalecer os inquéritos.

A defesa de Daniel Vorcaro também teria apresentado uma proposta de devolução de valores investigados, incluindo um plano de ressarcimento bilionário. O modelo, entretanto, gerou resistência entre integrantes da PGR e da PF devido às condições sugeridas para o pagamento e ao prazo previsto para eventual reparação financeira.

O caso ganhou forte repercussão política nas últimas semanas após o nome de Vorcaro aparecer relacionado a investigações que envolvem empresários, operadores financeiros e agentes públicos. O empresário segue preso preventivamente desde março, por decisão da Justiça, no âmbito da operação conduzida pela Polícia Federal.

A eventual homologação de um acordo de colaboração dependerá ainda da manifestação definitiva da Procuradoria-Geral da República e posterior análise do Supremo Tribunal Federal, responsável pelos processos envolvendo autoridades com foro privilegiado.

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