O Comitê de Política Monetária decidiu, nesta quarta-feira (18), revisar para cima as projeções de inflação e adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. A decisão ocorre em um ambiente de maior volatilidade internacional, marcado pela recente alta do petróleo e aumento das incertezas geopolíticas.
Na reunião, o Banco Central do Brasil promoveu um corte moderado na taxa básica de juros, a Selic, que passou de 15% para 14,75% ao ano. O movimento sinaliza o início de um ciclo de flexibilização mais gradual, diante da piora nas expectativas inflacionárias.
Segundo o comunicado, a projeção de inflação para 2026 foi ajustada de cerca de 3,4% para aproximadamente 3,9%, mantendo-se próxima ao limite superior da meta contínua, fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. O ajuste reflete, principalmente, o impacto da elevação dos preços de commodities no cenário global.
O Copom destacou que a recente disparada do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, tende a pressionar os preços de combustíveis no Brasil, com efeitos indiretos sobre transporte, alimentos e serviços. Esse movimento amplia o risco de contaminação inflacionária em diversos setores da economia.
No cenário doméstico, o comitê apontou que a inflação de serviços segue resiliente, enquanto as expectativas de mercado permanecem desancoradas, com projeções próximas ou acima de 4% para os próximos anos. Esses fatores reforçam a necessidade de manutenção de uma política monetária ainda contracionista, mesmo com a redução gradual dos juros.
Diante desse quadro, o Copom evitou sinalizar cortes mais intensos nas próximas reuniões e reforçou que a condução da política monetária seguirá dependente dos dados. A autoridade monetária indicou que acompanhará com atenção a evolução do cenário externo e o comportamento das expectativas de inflação.
A próxima reunião do colegiado está prevista para abril, quando novas projeções deverão ser divulgadas. O desafio do Banco Central será equilibrar o processo de desaceleração da inflação com a retomada do crescimento econômico, em um ambiente ainda marcado por incertezas globais.