O Brasil atingiu 80,6% de municípios sem registros de hanseníase em crianças menores de 15 anos, principal indicador de interrupção da transmissão da doença no país. O número representa cerca de 4,4 mil cidades sem novos casos nessa faixa etária em 2024, contra 73,1% em 2019, mostrando avanço significativo no controle da enfermidade.
O dado foi apresentado nesta quinta-feira (12) durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase, no Rio de Janeiro, que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para debater estratégias para eliminação da doença até 2030.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a expansão do diagnóstico precoce, da vigilância ativa e o fortalecimento do tratamento foram fundamentais para o resultado. Ele destacou que, apesar da redução dos casos em crianças, o estigma e o preconceito continuam sendo desafios, pois podem afastar pessoas dos serviços de saúde e dificultar a detecção precoce.
O governo federal investiu mais de R$ 21,3 milhões em projetos de ciência e tecnologia voltados ao enfrentamento da hanseníase nos últimos anos. De acordo com a Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase 2024–2030, a meta é alcançar a interrupção da transmissão em 4,8 mil municípios até 2030, equivalente a 87,5% do território nacional, considerando cinco anos consecutivos sem casos novos em menores de 15 anos.
Especialistas ressaltam que a presença da doença em crianças indica transmissão recente, já que a infecção ocorre após contato prolongado com a bactéria. Embora o número de municípios sem casos esteja crescendo, a hanseníase ainda é um desafio, com maior incidência nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
A conferência, que segue até sábado (14), também abordou a importância de fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar ações de redução do estigma e integrar políticas de saúde com atenção às desigualdades sociais, garantindo acesso adequado aos serviços em todo o território nacional.