O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul é um “mau negócio” na forma atual e, nesta terça-feira (10), defendeu que a UE avance em mecanismos financeiros conjuntos para reduzir a dependência do dólar americano e fortalecer sua autonomia econômica.
Segundo Macron, o pacto com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não protege setores sensíveis da economia europeia, como a agricultura, e carece de salvaguardas ambientais adequadas. Ele afirmou que Paris não apoiará a ratificação do acordo enquanto essas questões não forem resolvidas, reforçando a resistência francesa ao tratado, negociado há mais de 20 anos.
Divergências na União Europeia
Embora Macron critique o acordo, Alemanha e Espanha defendem a conclusão do pacto, argumentando que ele ampliaria mercados para produtos europeus e reforçaria os laços comerciais do bloco. A falta de consenso entre os 27 países da UE mantém o futuro do tratado incerto.
Enfrentamento ao dólar
Além do comércio, Macron defendeu a criação de eurobônus, títulos de dívida emitidos em conjunto pelos países da UE. Segundo ele, a iniciativa permitiria financiar áreas estratégicas, como defesa, energia e tecnologia, e criaria ativos capazes de competir com o dólar no mercado financeiro global.
A proposta será debatida nas próximas reuniões de líderes europeus, mas enfrenta resistência de países cautelosos com o compartilhamento de dívidas. Enquanto isso, o acordo UE-Mercosul segue em compasso de espera, travado por divergências políticas e econômicas dentro do bloco.