A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que ao menos seis mortes notificadas no Brasil estão sob investigação por possível associação ao uso de canetas emagrecedoras, medicamentos utilizados no tratamento do diabetes e também para emagrecimento, neste sábado. Os registros constam no sistema de farmacovigilância da agência e envolvem suspeitas de eventos adversos graves, como pancreatite.
Segundo a Anvisa, o levantamento reúne mais de 200 notificações de casos suspeitos de pancreatite relacionados ao uso desses medicamentos, que pertencem à classe dos agonistas do GLP-1. Entre os princípios ativos monitorados estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados no país.
A agência esclarece que as notificações não representam, necessariamente, a comprovação de relação direta de causa e efeito entre o uso do medicamento e os óbitos. Cada caso passa por análise técnica detalhada, que considera histórico clínico dos pacientes, condições pré-existentes, uso concomitante de outros medicamentos e a forma de utilização do produto.
O alerta ocorre em meio ao crescimento expressivo do uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil, impulsionado pela busca rápida por perda de peso. Autoridades sanitárias têm demonstrado preocupação com o uso fora das indicações aprovadas em bula e sem acompanhamento médico, prática que pode aumentar o risco de complicações graves.
Paralelamente, a Anvisa vem intensificando ações de fiscalização contra produtos irregulares e sem registro no país, frequentemente vendidos pela internet ou introduzidos de forma ilegal. Segundo o órgão, medicamentos sem autorização não passam por avaliação de segurança, eficácia e qualidade, o que representa risco à saúde pública.
A agência reforça que medicamentos dessa classe devem ser utilizados exclusivamente com prescrição médica, respeitando as indicações aprovadas, e orienta profissionais de saúde e pacientes a notificarem reações adversas por meio do sistema VigiMed. As investigações seguem em andamento, e novas medidas regulatórias podem ser adotadas conforme a evolução das análises.