O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou nesta sexta-feira (30) um novo e amplo conjunto de documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. A liberação faz parte de um processo oficial de transparência e amplia de forma significativa o volume de arquivos tornados públicos sobre uma das investigações mais sensíveis da história recente do país.
Segundo o DOJ, o material reúne milhões de páginas, incluindo e-mails, mensagens, relatórios internos, registros de viagens e anotações produzidas ao longo das investigações federais. Parte relevante do conteúdo foi publicada com trechos suprimidos, medida adotada para proteger a identidade das vítimas e preservar informações consideradas sensíveis ou legalmente restritas.
Os novos arquivos reforçam o caráter internacional do caso e trazem referências a políticos, empresários e outras figuras públicas de diversos países. As autoridades norte-americanas destacam que a simples menção de nomes nos documentos não representa acusação nem comprovação de envolvimento em crimes, e afirmam que, até o momento, a divulgação não resultou na abertura de novas denúncias criminais.
Menções ao Brasil
Entre os documentos analisados pela imprensa, há referências ao Brasil, incluindo registros genéricos de deslocamentos internacionais e anotações sobre contatos ligados à América do Sul. Os nomes de brasileiros aparecem, em sua maioria, tarjados ou sem identificação, e não há indicação de participação de cidadãos brasileiros em atividades ilegais associadas a Epstein.
O Departamento de Justiça ressalta que essas referências refletem a abrangência geográfica da investigação e não configuram indícios de responsabilidade criminal.
Bolsonaro e Steve Bannon
Nesse contexto, os arquivos também incluem menções ao ex-presidente Jair Bolsonaro, feitas em trocas de mensagens e e-mails de cunho político, datadas de 2018, durante o período da campanha presidencial no Brasil. Em um dos trechos atribuídos a Epstein, Bolsonaro é citado de forma elogiosa, com a expressão em inglês “Bolsonaro is the real deal”, em comentários sobre o cenário político brasileiro à época.
Os documentos também trazem referências a Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e aliado do então presidente Donald Trump. Em mensagens analisadas por veículos internacionais, Bannon aparece em conversas com interlocutores ligados a Epstein nas quais o nome de Bolsonaro surge no contexto de avaliações políticas e articulações de bastidores relacionadas à eleição brasileira.
Em um dos registros, Bannon afirma que seria necessário “manter essa coisa do Jair nos bastidores”, em referência a estratégias e análises políticas daquele período. As mensagens tratam exclusivamente de temas eleitorais e do cenário político internacional.
O Departamento de Justiça reforça que não há, nos documentos divulgados, qualquer indicação que associe Bolsonaro ou Bannon a crimes sexuais, tráfico de pessoas ou às atividades ilícitas investigadas no caso Epstein, e que as menções se limitam a registros de conversas e opiniões políticas sem valor probatório criminal.