Introdução
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, sinalizou a possibilidade de devolver a investigação do Banco Master à primeira instância, mas a decisão final permanece pendente. A definição está condicionada à análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos pela Polícia Federal, que podem conter menções a autoridades com foro privilegiado. A pressão interna de outros ministros pela saída do caso do STF, devido ao desgaste institucional, contrasta com a avaliação de que as extensas conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro tornam improvável uma saída definitiva.
Desenvolvimento
O gesto de Toffoli é interpretado como uma resposta à pressão crescente de colegas ministros, incomodados com o impacto negativo que o processo tem causado ao Supremo. O ministro Edson Fachin realizou conversas individuais com outros membros da Corte, consolidando um movimento interno para retirar do STF um caso que se tornou foco de críticas e tensão institucional. O processo chegou ao Supremo após a defesa e parlamentares apontarem menções a autoridades com foro, levando Toffoli a assumi-lo, decisão que já era alvo de questionamentos.
Diante dessa pressão, Toffoli adotou uma posição intermediária, admitindo a devolução do caso apenas após a conclusão da perícia nos aparelhos celulares. Os dispositivos foram apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero e pertencem a figuras-chave como o próprio Daniel Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, o advogado Augusto Lima e o consultor Nelson Tanure. Esses aparelhos são considerados de alto potencial explosivo, e as análises estão em andamento para verificar a existência de qualquer comunicação com deputados, senadores ou outras autoridades com foro.
O critério é claro: a ausência de menções a autoridades com foro privilegiado pode determinar o retorno do processo à primeira instância. No entanto, avaliações nos bastidores consideram esse cenário improvável, dada a amplitude das ramificações de Vorcaro, que atravessam o Legislativo, o Judiciário e o meio político. Essa rede de conexões aumenta significativamente a chance de o STF manter a competência sobre o caso, independentemente da pressão interna pela sua remoção.
Conclusão
Caso a investigação seja de fato remetida à primeira instância, seu retorno ao Supremo permanece uma possibilidade concreta. Se, no curso das apurações iniciais, surgirem indícios envolvendo alguma autoridade com foro, o processo retornará ao STF, o que pode abrir espaço para pedidos de nulidade de atos já praticados. Assim, qualquer caminho escolhido envolve riscos institucionais: manter o caso no STF prolonga o desgaste para Toffoli e a Corte, enquanto devolvê-lo pode gerar um vai e vem processual, instabilizando as investigações.
Portanto, a análise dos celulares apreendidos não é apenas um procedimento técnico, mas o elemento central que definirá o futuro processual do Caso Master. A decisão de Toffoli, seja pela permanência ou pela devolução, será tomada em um contexto de elevada pressão política e institucional, onde os riscos de desgaste e de retrocesso processual são igualmente ponderáveis. O desfecho dependerá estritamente do conteúdo revelado pelas mensagens digitais sob custódia da Polícia Federal.