Introdução
O banco digital PicPay concretiza, nesta quinta-feira (29), sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa Nasdaq, nos Estados Unidos. A operação marca o retorno das empresas brasileiras ao mercado de capitais internacional após um hiato desde 2021. A fintech, controlada pela J&F Investimentos dos irmãos Wesley e Joesley Batista, busca levantar recursos para impulsionar sua expansão.
Desenvolvimento
A empresa pretende captar até US$ 434,3 milhões com a venda de aproximadamente 22,9 milhões de ações. Cada papel foi precificado em US$ 19, valor que representa o teto da faixa indicativa inicial, que variava entre US$ 16 e US$ 19. Com essa precificação, a avaliação de mercado do PicPay pode alcançar uma faixa entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões.
O processo de abertura de capital é coordenado globalmente por instituições financeiras de peso: Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets. A gestora Bicycle Capital, especializada em crescimento na América Latina, lidera a oferta com a intenção de adquirir US$ 75 milhões em ações, embora tais intenções não constituam compromissos firmes de compra.
Esta listagem representa a segunda tentativa do PicPay de abrir capital nos Estados Unidos. A empresa havia planejado um IPO originalmente para 2021, mas precisou abortar os planos devido a condições desfavoráveis do mercado naquele período. A retomada agora ocorre em um cenário econômico global complexo, marcado por volatilidade.
Os fundamentos da empresa apresentam trajetória de crescimento robusto. Nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, o PicPay registrou lucro de R$ 313,8 milhões, um salto significativo em comparação com os R$ 172 milhões apurados no mesmo intervalo do ano anterior. A receita total também mais que dobrou, saltando de R$ 3,78 bilhões para R$ 7,26 bilhões.
Além do desempenho financeiro, a base de clientes ativos da fintech expandiu-se consistentemente, crescendo de 37,5 milhões para 42,1 milhões de usuários entre setembro de 2024 e setembro de 2025. Esse crescimento orgânico sustenta a narrativa de expansão apresentada aos investidores internacionais.
Conclusão
A listagem do PicPay na Nasdaq, sob o ticker “PICS”, é um marco significativo para o ecossistema de fintechs brasileiras. A operação testa o apetite do mercado internacional por ativos tecnológicos do Brasil após um período prolongado sem IPOs de empresas do país. O sucesso da captação pode influenciar o calendário de outras empresas nacionais que observam o mercado externo.
O desfecho desta oferta será analisado não apenas pelos recursos levantados, mas também pela performance das ações no pós-lançamento. A capacidade do PicPay em executar seu plano de crescimento com os novos capitais definirá o legado deste IPO, que ocorre em um ambiente macroeconômico ainda desafiador para as emissões de risco.