Introdução
A programação da televisão estatal do Irã foi interrompida no domingo, 18 de fevereiro, por um ataque hacker que exibiu artes gráficas com mensagens políticas. As imagens transmitidas expressavam apoio aos protestos contra o governo e mencionavam respaldo dos Estados Unidos e da Europa. A invasão ocorre em um contexto de manifestações generalizadas no país desde o final de dezembro.
Desenvolvimento
Durante a interrupção, foram veiculadas cartelas em farsi com a frase “A América está com você”. As mensagens alegavam que o presidente norte-americano, Donald Trump, teria prometido reiteradamente apoiar os iranianos em sua luta contra o regime islâmico. Outras comunicações afirmavam que a Europa também endossava os manifestantes e acusavam as autoridades de tentarem manter a população desinformada.
O material hackeado continha elogios ao ex-príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi, referido como “nossa voz”. As artes gráficas sustentavam que Pahlavi, atual líder da oposição iraniana residente nos Estados Unidos, seria capaz de angariar apoio internacional para a causa oposicionista. A transmissão incluiu ainda vídeos editados de discursos do opositor.
Nos trechos exibidos, Reza Pahlavi conclamava funcionários do Estado, integrantes das forças armadas e de segurança a abandonarem a República Islâmica e se unirem aos protestos. Os vídeos originais parecem ter sido publicados por ele nas redes sociais em 12 e 13 de janeiro. Mensagens adicionais durante a invasão propagavam que forças de segurança estariam recuando de centros urbanos e que milhares teriam deposto armas.
Os protestos que assolam o Irã têm como motivação principal as dificuldades econômicas, queixas políticas e um profundo descontentamento com o establishment clerical no poder. As autoridades iranianas atribuem a onda de manifestações a inimigos estrangeiros e alertam constantemente contra o que classificam como interferência externa. O governo também tem imposto restrições à cobertura jornalística e ao acesso à internet.
Conclusão
O ataque hacker à televisão estatal representa um episódio significativo de guerra de informação no cenário político conturbado do Irã. A exibição forçada de mensagens que vinculam a oposição interna a apoios internacionais reflete as tensões geopolíticas que envolvem o país. O incidente evidencia como o conflito político interno se entrelaça com narrativas e supostos interesses de potências estrangeiras.
Este evento ocorre em um momento de fragilidade para o regime, que enfrenta um dos mais persistentes movimentos de protesto dos últimos anos. A capacidade de grupos hackers de invadirem um meio de comunicação central do Estado levanta questões sobre segurança e controle da informação. O episódio deve intensificar os debates sobre influência externa e a natureza dos desafios à autoridade governamental no Irã.