Mais de 5 mil produtos brasileiros passarão a entrar na União Europeia com imposto de importação zerado após a entrada em vigor do acordo comercial firmado entre o Mercosul e o bloco europeu. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e se refere aos itens que terão eliminação imediata das tarifas, o que representa cerca de 54% do total de produtos negociados no tratado.
O acordo, assinado na última semana após mais de duas décadas de negociações, cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, reunindo aproximadamente 700 milhões de consumidores. Com a inclusão da União Europeia, o Brasil amplia seu acesso preferencial ao comércio internacional de 8% para cerca de 36% do mercado global, segundo dados da indústria.
Impacto direto nas exportações
A tarifa zero beneficia principalmente produtos industrializados, agrícolas e manufaturados, aumentando a competitividade das exportações brasileiras frente a concorrentes de países que não possuem acordo comercial com a UE. A expectativa do setor produtivo é de crescimento nas vendas externas, diversificação da pauta exportadora e atração de investimentos.
Além dos produtos com imposto zerado de forma imediata, o acordo prevê a redução gradual de tarifas para outros cerca de 4,4 mil itens, com prazos de transição que variam entre 10 e 15 anos, especialmente em setores considerados mais sensíveis.
Entrada em vigor ainda depende de ratificação
Apesar da assinatura, o acordo não passa a valer automaticamente. O texto ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países do Mercosul e pelos Estados-membros da União Europeia, processo que pode levar meses ou até anos.
Enquanto isso, governo e setor empresarial avaliam que a perspectiva de acesso ampliado ao mercado europeu já sinaliza um novo cenário para o comércio exterior brasileiro, com potencial impacto positivo sobre a produção, o emprego e a inserção do país nas cadeias globais de valor.