Introdução
Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) manifestam a intenção de se distanciar do caso Master, após novas revelações sobre supostas fraudes e uma operação coordenada para atacar o Banco Central. A avaliação interna é de que o tribunal ingressou de forma equivocada no tema, transmitindo uma imagem de maior preocupação com a liquidação do banco do que com as irregularidades que podem afetar uma instituição pública e fundos de pensão. Esse posicionamento gerou críticas e levou a um recuo institucional.
Desenvolvimento
Segundo os ministros, o plenário do TCU não deve aprovar uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Banco Master, especialmente em um caso envolto em polêmicas políticas e com investigações em andamento pela Polícia Federal. As recentes revelações sobre influenciadores contratados para atacar a autoridade monetária reforçam a tese de uma operação criminosa para proteger o Master e desacreditar sua liquidação, beneficiando os acusados de fraudes bancárias.
O que inicialmente pareciam dois casos isolados mostrou-se uma ação coordenada de ataques nas redes sociais contra a Febraban e o Banco Central, aumentando a apreensão entre os membros do tribunal. Para eles, o TCU deve manter não apenas uma distância regulatória, mas um afastamento completo do caso Master, que se revela cada vez mais explosivo e complexo.
As críticas à decisão do ministro Jonathan de Jesus, que determinou a inspeção sobre a liquidação, foram intensas tanto externamente quanto dentro do próprio TCU, levantando questionamentos sobre os limites de atuação do tribunal para interferir em processos de liquidação bancária. Esse cenário pressionou a presidência do tribunal a marcar uma reunião entre Vital do Rêgo, presidente do TCU, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, ocorrida na segunda-feira, dia 12.
Investigadores e técnicos reclamam que o foco inicial do TCU recaiu sobre quem liquidou o banco, e não sobre as operações irregulares do Master, que podem causar um prejuízo estimado em R$ 4 bilhões ao banco público BRB e a clientes da instituição. Essa abordagem passou a mensagem de que o tribunal estaria mais preocupado com os controladores do banco do que com as vítimas das fraudes.
Conclusão
O caso Master expõe uma tensão institucional entre o papel fiscalizador do TCU e a autonomia do Banco Central em processos de intervenção e liquidação bancária. A percepção de que o tribunal foi arrastado para um campo minado por disputas políticas e operações criminosas de desinformação levou a uma reavaliação estratégica de seu envolvimento.
A orientação que predomina agora entre os ministros é a de que o TCU deve se concentrar em seu núcleo de atribuições, evitando ações que possam ser instrumentalizadas em meio a uma investigação criminal de grande porte. O distanciamento do caso é visto como necessário para preservar a credibilidade da instituição e não comprometer o andamento das apurações da Polícia Federal.