O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que os Estados Unidos deverão buscar apoio do Brasil nos planos para a estabilização política e econômica da Venezuela, segundo apuração publicada pelo G1, no Blog da jornalista Ana Flor, nesta quarta-feira (7). A leitura feita por integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty leva em conta o peso diplomático brasileiro na América do Sul e as dificuldades de Washington em conduzir sozinho um processo de reorganização no país vizinho.
De acordo com auxiliares do governo, a percepção é de que o Brasil pode atuar como interlocutor regional capaz de facilitar o diálogo político, reduzir resistências entre países sul-americanos e contribuir para a construção de um ambiente mais estável no pós-crise venezuelano.
Para o Planalto, a eventual participação brasileira teria caráter estratégico, sobretudo na articulação diplomática e na reconstrução institucional, além de ajudar a atrair investimentos internacionais, especialmente no setor energético, considerado fundamental para a retomada da economia da Venezuela.
A avaliação ocorre em meio a um cenário de tensão envolvendo Caracas e Washington. O presidente Lula tem reiterado, em declarações públicas e em fóruns internacionais, a defesa da soberania venezuelana e a necessidade de soluções negociadas, com participação de organismos multilaterais e países da região.
Integrantes do Itamaraty avaliam que, apesar das divergências com os Estados Unidos sobre a condução da crise, o Brasil tende a ser procurado justamente por manter canais de diálogo com diferentes governos e atores políticos latino-americanos. A análise interna é de que uma estabilização duradoura da Venezuela dificilmente ocorrerá sem algum grau de mediação regional.
O governo brasileiro afirma que qualquer envolvimento em iniciativas de estabilização deverá respeitar o direito internacional, a autodeterminação dos povos e a busca por uma solução pacífica, evitando o agravamento da crise política e humanitária no país vizinho.