A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar movimentações financeiras atípicas envolvendo o presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam depósitos em dinheiro vivo na conta pessoal do dirigente e saques milionários das contas do clube.
Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, Casares recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos fracionados, prática considerada pelo Coaf como tentativa de evitar alertas automáticos. Paralelamente, a investigação aponta 35 saques em dinheiro das contas do São Paulo, totalizando R$ 11 milhões entre 2021 e 2025, sem clareza sobre o destino dos valores.
Nota dos advogados
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, divulgaram a seguinte nota:
“Todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça‑se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações, com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais, justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial.”
O clube também destacou que todos os saques têm registros contábeis e estão em conformidade com a Receita Federal.
A Polícia Civil confirmou a apuração, mas ressaltou que o inquérito tramita sob sigilo e que não há confirmação de ligação direta entre os depósitos pessoais de Casares e os saques das contas do clube.
O caso adiciona tensão aos bastidores do São Paulo, que enfrenta desafios esportivos e financeiros na preparação para a temporada de 2026.