O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (20), durante a cúpula do Mercosul, que uma eventual intervenção militar na Venezuela teria consequências graves para a América do Sul. Em discurso aos chefes de Estado do bloco, Lula alertou que “uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária e um precedente perigoso”.
Sem citar diretamente países, o presidente brasileiro criticou a atuação de potências extrarregionais no continente e disse que a presença militar externa ameaça a soberania dos países sul-americanos. “Não podemos aceitar a presença militar de potências extrarregionais na América do Sul”, declarou.
Lula também relacionou o debate sobre a Venezuela a desafios mais amplos enfrentados pela região. Segundo ele, “as verdadeiras ameaças à nossa soberania hoje são a guerra, as forças antidemocráticas e o crime organizado”, em referência a riscos que, na avaliação do governo brasileiro, exigem cooperação regional em vez de confronto.
Ao abordar possíveis caminhos para a crise venezuelana, o presidente defendeu uma solução baseada no diálogo. “Os conflitos não se resolvem com tiro, mas com diálogo e diplomacia”, afirmou, ao reiterar a disposição do Brasil em contribuir para negociações que evitem uma escalada militar.
A declaração ocorreu em meio a discussões sobre o papel político do Mercosul diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas. Para Lula, o bloco deve ir além da agenda econômica e atuar como espaço de articulação regional. “O Mercosul precisa ser um espaço de paz, cooperação e integração, não de confronto”, disse.
Além da situação na Venezuela, a cúpula reuniu líderes para debater temas como integração regional, combate ao crime organizado e negociações comerciais com parceiros externos. A posição expressa por Lula reforça a linha adotada pelo governo brasileiro de rejeição a intervenções militares e de defesa do multilateralismo e da diplomacia como instrumentos centrais para a estabilidade da América do Sul.