O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (29) que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”, em um aviso direcionado a companhias aéreas, pilotos e organizações envolvidas em rotas que sobrevoam o país. A declaração, feita em sua própria rede social, amplia a tensão já existente entre Washington e Caracas e reacende o temor de uma ofensiva militar norte-americana.
Escalada militar no Caribe
Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram a presença militar no Caribe, com o envio de porta-aviões, aeronaves de reconhecimento e unidades de forças especiais. O governo Trump afirma que a operação tem como objetivo combater o narcotráfico ligado à Venezuela, mas autoridades e analistas internacionais enxergam sinais de possível escalada militar.
O próprio presidente declarou recentemente que pretende “interromper o narcotráfico venezuelano por terra”, sem detalhar a estratégia, o que especialistas interpretam como indicativo de que uma intervenção direta pode estar em planejamento.
Reação de Caracas
O governo de Nicolás Maduro reagiu com firmeza às declarações. Militares venezuelanos foram colocados em estado de alerta máximo, e o Palácio de Miraflores acusou Washington de promover uma campanha de desestabilização que poderia desencadear um conflito regional.
Autoridades da Venezuela afirmam que qualquer violação de seu território, terrestre ou aéreo, será tratada como ato de agressão.
Companhias aéreas suspendem voos
Mesmo antes do anúncio de Trump, autoridades aeronáuticas dos EUA já haviam recomendado cautela a pilotos civis ao sobrevoar o território venezuelano, citando risco de interferências e presença militar crescente. Com o novo aviso, empresas aéreas reforçaram a suspensão de rotas, e o governo venezuelano revogou autorizações de voo de determinadas companhias estrangeiras.
O fechamento do espaço aéreo tende a dificultar ainda mais a logística de entrada e saída do país, afetando comércio, turismo, ajuda humanitária e conexões internacionais.
Risco de conflito preocupa América Latina
Países latino-americanos e organismos multilaterais demonstraram preocupação com a possibilidade de escalada militar. Diplomatas alertam que uma ofensiva dos EUA poderia provocar instabilidade continental, aumentar fluxos migratórios e agravar a crise humanitária na Venezuela.
Cenário em aberto
A ampliação do alerta de Trump adiciona uma nova camada de incerteza à já delicada relação entre os dois países. Enquanto Washington reforça o discurso de combate ao narcotráfico e Caracas denuncia ameaça de invasão, a região acompanha, apreensiva, os próximos passos.
O risco de um conflito direto permanece no radar, e analistas afirmam que as próximas semanas serão decisivas para definir se a crise evoluirá para um confronto militar ou se haverá espaço para negociações diplomáticas.