A comunidade científica internacional voltou a ligar o sinal de alerta para a gripe aviária do subtipo H5N1, após novos estudos indicarem que o vírus pode representar um risco pandêmico potencialmente mais grave do que a Covid-19, caso adquira capacidade de transmissão sustentada entre humanos. A avaliação foi reforçada por especialistas que acompanham a evolução da doença em aves e mamíferos mundo afora.
Atualmente, o H5N1 circula de forma intensa em aves silvestres e rebanhos comerciais, com registros crescentes de infecções em mamíferos, incluindo bovinos, raposas, leões-marinhos e felinos. Para pesquisadores, essa expansão amplia as oportunidades de mutação do vírus, aumentando a chance de adaptação ao organismo humano.
Alta letalidade e ausência de imunidade preocupam
Embora casos humanos ainda sejam raros, episódios registrados desde os anos 2000 mostram uma taxa de mortalidade elevada em infecções por H5N1. Segundo especialistas, a população mundial não possui imunidade prévia ao subtipo, o que poderia facilitar a disseminação caso o vírus adquira capacidade de transmissão entre pessoas.
Cientista do Institut Pasteur faz o alerta
O alerta mais recente foi feito por Marie-Anne Rameix-Welti, diretora médica do Centro de Infecções Respiratórias do Institut Pasteur, na França.
De acordo com ela:
“O que tememos é que o vírus se adapte aos mamíferos e particularmente aos humanos, tornando-se capaz de transmissão de pessoa para pessoa; e aí sim, teríamos um vírus pandêmico.”
Rameix-Welti destacou que, diferentemente da Covid-19, que no início atingiu com maior gravidade idosos e pessoas vulneráveis, o H5N1 pode causar quadros severos em pessoas jovens e saudáveis, inclusive crianças, o que ampliaria o impacto de uma eventual pandemia.
Vigilância é essencial, apesar dos avanços
Apesar da preocupação, especialistas afirmam que, hoje, o mundo está mais preparado do que em 2019. Há plataformas de vacina específicas para influenza em desenvolvimento, além de sistemas de vigilância epidemiológica mais estruturados. Ainda assim, a recomendação é manter atenção rigorosa aos surtos em aves e mamíferos e reforçar protocolos de biossegurança, sobretudo em países com grande produção avícola, como o Brasil.
Com o alerta de Marie-Anne Rameix-Welti, o avanço do H5N1 segue no radar global. Cientistas defendem que este é o momento decisivo para agir preventivamente, antes que o vírus alcance capacidade de transmissão sustentada entre humanos.