A sessão da CPMI do INSS realizada nesta quinta-feira (27) foi marcada por um bate-boca entre deputados, gerando tensão no plenário e atrasos na votação de requerimentos importantes. O confronto envolveu os deputados Marcel van Hattem (NOVO‑RS) e Rogério Correia (PT‑MG), durante a análise de convocações de autoridades ligadas às investigações sobre supostos descontos irregulares em benefícios previdenciários. (jornalnoroeste.com.br)
O motivo do bate-boca
O conflito começou quando os parlamentares discutiam a inclusão do advogado-geral da União, Jorge Messias, na pauta de convocações da comissão. A discussão se intensificou após menções a autoridades políticas externas à comissão, que inflamaram o debate e geraram gritos e ofensas entre os presentes. Segundo relatos, o bate-boca dominou parte da sessão, exigindo intervenções da mesa diretora para tentar restaurar a ordem.
A votação sobre os requerimentos foi adiada para a próxima sessão, ainda sem data definida, a fim de que todos os parlamentares tenham tempo de analisar a documentação e permitir que os debates futuros ocorram de forma mais organizada.
Pauta da comissão
Além da discussão política, a comissão realizou a oitiva do contador Mauro Palombo Concílio, investigado por movimentações suspeitas de empresas que teriam recebido repasses da associação Amar Brasil, alvo das investigações. A presença do contador visava esclarecer movimentações financeiras e contratos considerados irregulares, mas o clima tenso acabou ofuscando parte do depoimento.
A CPMI tem analisado 479 requerimentos, incluindo convocações, quebras de sigilo e pedidos de documentação a órgãos como Receita Federal, Dataprev, Tribunal de Contas da União (TCU), Advocacia-Geral da União (AGU) e Casa Civil. A convocação de Jorge Messias era considerada uma das mais polêmicas, já que a oposição acusa a AGU de omissão diante das irregularidades investigadas.
Clima político e repercussão
O episódio evidencia a polarização política dentro da CPMI, em um ambiente já marcado por tensões e impasses. Analistas políticos afirmam que a escalada de discussões e a troca de ofensas podem prejudicar a credibilidade da comissão, especialmente aos olhos de aposentados e pensionistas, principais afetados pelos supostos descontos irregulares.
A sessão também mostrou a dificuldade de conciliar investigações técnicas complexas com disputas políticas acirradas. Para especialistas em previdência, episódios como este podem atrasar o andamento das apurações e gerar desconfiança sobre a efetividade do trabalho da comissão.
O que vem a seguir
A CPMI deve retomar a votação dos requerimentos na próxima sessão, incluindo a convocação de Jorge Messias e outros investigados, além da análise de quebras de sigilo e coleta de documentos pendentes. O andamento das apurações dependerá do equilíbrio entre o rigor técnico da investigação e a condução do debate político dentro do plenário.
Apesar da tensão, a presidência da comissão garantiu que a CPMI seguirá com os trabalhos e tentará manter o foco nas investigações, que têm potencial de revelar um dos maiores esquemas de fraude envolvendo a Previdência Social nos últimos anos.