Na manhã desta segunda-feira (24), o governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou a chamada Operação Barricada Zero, uma força-tarefa integrada para remover barricadas erguidas por facções criminosas em comunidades da Região Metropolitana. A ação marca o cumprimento de um plano estratégico apresentado pelo governador Cláudio Castro em meados de novembro.
Escala e mapeamento das barricadas
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP‑RJ), a operação se baseia em um levantamento técnico que identificou 13.604 pontos de bloqueio no estado.
As barreiras variam em tamanho e complexidade: desde estruturas simples, como lixeiras e entulhos, até construções mais robustas, comparadas a “obras de engenharia”, usadas por criminosos para dificultar o acesso de viaturas policiais.
O plano inicial prevê operações em 12 municípios da região metropolitana, incluindo, além da capital, cidades como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São Gonçalo e Queimados.
Logística da operação
Para remover os bloqueios, o Estado mobilizou equipamentos pesados em kits chamados de “kits‑demolição”: retroescavadeiras, rompedores hidráulicos, caminhões basculantes, motosserras e outros recursos específicos para cada tipo de barricada.
De acordo com o anúncio oficial, se novas barreiras forem reconstruídas após a desobstrução, atuarão tropas de elite: o BOPE (Polícia Militar) e a CORE (Polícia Civil).
Resultados iniciais e prisões
Durante a primeira fase desta operação, foram retiradas 92 toneladas de materiais usados como barricadas, segundo a cobertura da Gazeta Brasil.
Quatro pessoas foram presas na Cidade de Deus, uma das comunidades atendidas nesta etapa.
Justificativa do governo
O governador Cláudio Castro afirmou que as barricadas não são apenas obstáculos físicos, mas formas de controle territorial pelas facções criminosas. “Aonde há bloqueio e medo, o Estado, com certeza, tem que chegar”, disse ele durante o anúncio da operação.
Castro também ressaltou que a mobilidade urbana é uma prioridade: a retirada das barreiras busca restaurar o direito de ir e vir dos moradores.
Participação da população
Para envolver a população, o Estado abrirá canais de denúncia: haverá um número exclusivo no Disque Denúncia para registrar novos bloqueios, com garantia de anonimato.
Desafios à frente
Especialistas e analistas apontam que, para garantir efeito duradouro, a operação precisa ir além da remoção física. Há risco de reconstrução das barricadas se não houver acompanhamento constante — e esse acompanhamento depende de estrutura institucional robusta e da participação permanente das prefeituras e da sociedade.
Além disso, críticos alertam para a necessidade de políticas públicas conjuntas, como melhoria da infraestrutura nas comunidades, geração de emprego e presença do Estado em serviços básicos, para que o processo não se limite a uma ação pontual de segurança.