O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ontem, quarta-feira (19), a Belém para tentar destravar pontos centrais das negociações da COP30, que entra na fase decisiva com impasses relevantes sobre financiamento climático, adaptação e transição energética. A movimentação ocorreu após relatos de que as conversas avançaram menos do que o previsto, elevando a pressão sobre o país-sede para garantir consensos.
Lula se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, além de representantes de delegações estrangeiras, governadores, prefeitos e organizações da sociedade civil. A expectativa é de que a presença do presidente dê novo impulso às tratativas e fortaleça o papel do Brasil como articulador diplomático na reta final da conferência.
Financiamento domina a pauta
O financiamento climático segue como principal ponto de tensão. Países em desenvolvimento cobram mecanismos mais claros para custear a transição energética, ações de adaptação e preservação florestal, temas que formam o núcleo das negociações técnicas da cúpula. Para organizações da sociedade civil, a COP30 precisa transformar discursos em medidas concretas, especialmente voltadas à Amazônia e às comunidades mais vulneráveis.
Pressões sobre a infraestrutura
Além dos desafios diplomáticos, Belém enfrenta críticas relacionadas à capacidade de infraestrutura durante a conferência. Delegações estrangeiras chegaram a pedir subsídios para hospedagem devido aos altos custos na cidade, demanda que o governo brasileiro rejeitou, mantendo o clima de tensão nos bastidores.
Retorno com peso político
Desde a abertura da COP30, Lula tem sido peça central na construção de consensos. No discurso inaugural, afirmou que a crise climática “já não é ameaça do futuro, é tragédia do presente”, defendendo a aceleração da transição energética e a proteção das florestas. Sua volta nesta quarta buscou reforçar diretamente os acordos finais que devem ser apresentados ainda nesta semana pelas 194 delegações.
O que está em jogo
Com a conferência entrando no estágio final, o retorno do presidente tem peso decisivo para evitar que a COP30 encerre sem avanços substanciais. Entre os pontos que dependem de articulação política estão:
Compromissos de financiamento climático e definições sobre o Fundo de Perdas e Danos;
Diretrizes para acelerar a transição energética em países em desenvolvimento;
Mecanismos sólidos para proteção de florestas tropicais, com foco na Amazônia;
Regras de governança climática para monitorar a implementação dos acordos.
Com a presença de Lula em Belém, as próximas rodadas de negociação devem ser intensificadas em busca de um texto final que reflita avanços práticos e sustentáveis.