Documentos até então inéditos sobre a preparação da seleção brasileira de 1970 estão em exposição no Museu da Fifa. Eles tornam ainda mais clara a importância do condicionamento físico para fazer daquela equipe a primeira a comemorar um tricampeonato da Copa do Mundo. São relatórios de testes realizados em fevereiro de 1970, quando os jogadores convocados por João Saldanha – que meses depois seria demitido para dar lugar a Zagallo – estavam concentrados no Rio de Janeiro no início da preparação para a competição, que começaria em junho, no México.
As peças mostram os resultados individuais dos atletas e indicam, curiosamente, que em alguns testes, como na corrida de 12 minutos, Pelé, aos 30 anos, foi avaliado como “bom”, abaixo do “muito bom” de outros colegas, como Jairzinho. A condição física sempre foi um dos trunfos do Rei. Em resposta a questionamentos do ge, o Museu da Fifa informou que esses documentos foram adquiridos em 2024 e nunca tinha sido exibidos antes – o museu não revela a quem as peças pertenciam.
Eles fazem parte da exposição “Inovação em Ação: tecnologias do futebol dentro e fora do campo”, que pode ser visitada no Museu da Fifa, em Zurique, até o fim de março. Os cuidados de preparação física daquele time sempre foram considerados inovadores para a época – e são apontados como essenciais para o sucesso de uma equipe que tinha, também, talento de sobra. Os treinamentos começaram em fevereiro de 1970, cerca de cinco meses antes da estreia do Brasil contra a Tchecoslováquia.
As primeiras semanas foram no Rio, quando os testes relatados nos documentos exibidos pela Fifa foram realizados. Em entrevista ao sportv, em 2012, o ex-treinador Carlos Alberto Parreira, que foi preparador físico da Seleção em 1970, falou sobre o método Cooper, utilizado para avaliar os jogadores. – O Cooper nos deu exatamente a valência de como estavam os jogadores.