A Rússia reagiu oficialmente nesta sexta-feira (7) ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a retomada imediata de testes nucleares norte-americanos. O Kremlin informou que o presidente Vladimir Putin ordenou aos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, além de agências de segurança e científicas, que elaborem propostas para preparar o país caso seja necessário realizar novos testes nucleares.
A decisão foi tomada durante uma reunião do Conselho de Segurança russo na quinta-feira (6), mas a reação pública ocorreu nesta sexta, quando a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, cobrou esclarecimentos dos Estados Unidos. Segundo ela, Moscou tem recebido “sinais contraditórios” de Washington e quer saber se os testes anunciados serão explosivos ou apenas de sistemas de lançamento.
Putin afirmou que a Rússia não pretende iniciar testes por conta própria, mas advertiu que “se os Estados Unidos ou qualquer outro país signatário do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) conduzirem experimentos, a Rússia será obrigada a tomar medidas recíprocas”.
O ministro da Defesa, Andrei Belousov, acrescentou que a região de Novaya Zemlya, no Ártico, onde a antiga União Soviética realizou dezenas de testes durante a Guerra Fria, está “preparada para ser reativada com pouco aviso” caso seja necessário. Apesar disso, o governo russo reforçou que nenhum teste está previsto no momento, limitando-se à elaboração de propostas e à análise das medidas cabíveis.
O anúncio de Trump, feito no fim de outubro, rompe uma moratória de mais de três décadas e gerou apreensão em várias capitais. Especialistas alertam que uma eventual retomada dos testes por Estados Unidos e Rússia poderia marcar o início de uma nova corrida armamentista nuclear, enfraquecendo tratados de controle de armas e aumentando as tensões entre potências.
A Rússia já havia revogado, em 2023, a ratificação do CTBT, tratado que proíbe qualquer teste nuclear explosivo, mas que ainda não entrou plenamente em vigor porque não foi ratificado por países-chave, entre eles os próprios Estados Unidos.
Analistas veem a atual postura do Kremlin como uma resposta política e simbólica, destinada a mostrar paridade estratégica com Washington em um momento de crescente tensão global.
De acordo com o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, a elaboração de propostas técnicas pode levar meses, e qualquer decisão final dependerá dos movimentos norte-americanos. Enquanto isso, Moscou afirma que continuará monitorando de perto as ações dos EUA e defenderá que o tema seja debatido em fóruns internacionais de controle de armas.